quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

Da ovelha para o pastor


1.    A ovelha tem que ter cheiro de pastor

Em sua primeira missa como Papa, concelebrada por cardeais, bispos e cerca de 1.600 sacerdotes em Roma, Francisco exortou os religiosos a irem às periferias, onde há sofrimento e sangue, e a serem “pastores com cheiro de ovelha”. Muitas vezes escutamos a frase: “o pastor tem que ter cheiro de ovelha” em uma alusão de que o pastor deve buscar conhecer as suas ovelhas de tal forma que exale o cheiro de ovelhas. E é fato que um pastor só é pastor se tiver ovelhas. Isso é verdade. A marca de perfume que o pastor mais gosta de usar, não é Hugo Boss, Yves Saint Lauren, Chanel n.5, Alfazema, Leite de Rosas, mas o perfume da marca Ovelha, aquele que tem cheiro de ovelha. O pastor deve buscar ter relacionamento com suas ovelhas, conhecer as suas necessidades, suas dificuldades, quais as suas prioridades, orar por elas, interceder por elas, gastar tempo com suas ovelhas até ficar “com cheiro de ovelha”.

Muitas vezes esse cheiro de ovelha é pego de forma sobrenatural. O pastor ora tanto pelas ovelhas que o cheiro delas é passado de uma forma espiritual. Às vezes, o pastor não tem tempo de visitar as suas ovelhas, ficando muitas vezes, a cargo do líder ou diácono, mas isso não quer dizer que o pastor não esteja perto de suas ovelhas. Ele está! Através de suas orações e intercessões diárias pela igreja, o pastor recebe de forma sobrenatural o cheiro das suas ovelhas.

É certo afirmar que o verdadeiro pastor tem que ter cheiro de ovelha. Mas contrário também é verdadeiro: a ovelha tem que ter o cheiro do pastor. Mas muitas vezes, esse cheiro de pastor na ovelha não é percebido, por causa de dois aspectos principalmente: a ovelha se afasta do pastor ou a ovelha não se submete ao aconselhamento do pastor.

a.    A ovelha se afasta do pastor

O Salmista diz: “Andei vagando como ovelha perdida” (Salmos 119.176a).

Em Isaías 53.6, lemos: “Todos nós andávamos desgarrados como ovelhas; cada um se desviava pelo caminho”.

I Reis 22.17: “Vi todo o Israel espalhado pelas colinas, como ovelhas sem pastor, e o Senhor a dizer: ‘Estes não têm dono’”.

Lemos também em Mateus 9.36: “Ao ver as multidões, teve compaixão delas, porque estavam aflitas e desamparadas, como ovelhas sem pastor”.

Nesses textos vemos claramente que existem ovelhas que estão sem pastor. Ou por que nunca foram de um rebanho ou por que se afastaram do rebanho que faziam parte. Às vezes, nós ovelhas, por vontade própria, decidimos nos afastar do rebanho e por consequência do pastor. Quando fazemos isso ficamos numa posição perigosa, insegura, sem a proteção do pastor. Por isso, o Salmista clama ao Senhor, dizendo: “Vem em busca do teu servo” (Salmos 119.176b). Infelizmente, vemos pessoas que estão afastadas do seu rebanho e do pastor que o Senhor colocou para liderar o rebanho. O que às vezes não nos damos conta é que o risco de afastar-se do rebanho é muito maior do que se possa imaginar! Uma pessoa pode se tornar tão envolvida em tantas atividades, que ela fica sem tempo para Deus, Sua Palavra, oração e estar em comunhão na sua igreja com os pastores e irmãos. O resultado disso é o coração se tornar frio e insensível em relação a Deus, e a comunhão espiritual. Perdemos também a proteção espiritual do nosso pastor. Saímos debaixo da sua cobertura e nos tornamos alvos mais fáceis para o inimigo. Certa vez ouvi um pastor dizer: “Pastor foi feito para proteger ovelha”. Essa é uma das principais funções do pastor e quando nos afastamos do nosso pastor, nós perdemos o cheiro do nosso pastor e ficamos apenas com o cheiro de ovelha. Assim, fica fácil do lobo nos encontrar por causa do nosso cheiro de ovelha.

b.    A ovelha não se submete ao aconselhamento do pastor

Hebreus 13.17: “Obedeçam aos seus líderes e submetam-se à autoridade deles. Eles cuidam de vocês como quem deve prestar contas. Obedeçam-lhes, para que o trabalho deles seja uma alegria e não um peso, pois isso não seria proveitoso para vocês.”

Uma das coisas que tenho aprendido nessa caminhada com Cristo é que devemos ser submissos às autoridades. Em Romanos 13.1,2, temos:

“Todos devem sujeitar-se às autoridades governamentais, pois não há autoridade que não venha de Deus; as autoridades que existem foram por ele estabelecidas. Portanto, aquele que se rebela contra a autoridade está se colocando contra o que Deus instituiu, e aqueles que assim procedem trazem condenação sobre si mesmos.”

Jesus quando perguntado sobre se era justo pagar tributos a César, Ele respondeu “daí a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus”, nos mostrando que mesmo que a autoridade seja ímpia e injusta, temos que nos submeter a ela. Obviamente que nesse caso, por trás dessa submissão, tem oração para que Deus mude essa situação de injustiça.

Quando não seguimos os conselhos do pastor, podemos trazer grandes problemas para as nossas vidas.

I Reis 12.6-8, temos: “O rei Roboão foi falar com os homens mais velhos, que haviam sido os conselheiros do seu pai, e perguntou: — Que resposta vocês me aconselham a dar a este povo. Eles disseram: — Se o senhor quiser servir bem a este povo, dê uma resposta favorável ao pedido deles, que eles serão seus servidores para sempre. Mas Roboão não seguiu o conselho dos homens mais velhos e foi falar com os jovens que haviam crescido junto com ele e que agora eram os seus conselheiros”.

O rei Roboão era filho e sucessor de Salomão. Ele desprezou os bons conselhos dos sábios – uma junta de homens levantados pelo Rei Salomão para que servissem de conselheiros ao rei e ajudá-lo nas decisões que ele devia tomar acerca do reino – e tomou conselho com os jovens que havia crescido junto com ele. Com esta atitude Roboão não seguiu o conselho da junta de anciãos nem tampouco o conselho do seu pai de sempre seguir os conselhos dos sábios e causou a grande divisão da nação de Israel.

Qual é a sua atitude mediante a uma decisão e a uma circunstância? Aonde você procura se aconselhar? A palavra de Deus nos aponta no Salmo 1:

“Bem-aventurado o homem que não anda no conselho dos ímpios, não se detém no caminho dos pecadores, nem se assenta na roda dos escarnecedores. Antes, o seu prazer está na lei do SENHOR, e na sua lei medita de dia e de noite”. (Salmo 1.1-3)

O verdadeiro pastor também é um profeta de Deus, e como profeta, fala das coisas de Deus e aconselha as ovelhas de acordo com a Palavra de Deus. A felicidade está vinculada ao prazer do homem em buscar os conselhos vindos do Senhor. Conselhos sábios são sempre baseados na Palavra do Senhor.

Quando uma ovelha não se submete ao aconselhamento pastoral, esta fica sujeita a seguir conselhos de ímpios, não pautados na Palavra do Senhor, e que muitas vezes podem levar a ovelha a se desgarrar do rebanho, se revoltar contra seu pastor, ou até mesmo se afastar do Bom Pastor, que é Jesus.

2.    A ovelha conhece o coração do pastor

“As minhas ovelhas ouvem a minha voz, eu as conheço, e elas me seguem.Eu lhes dou a vida eterna, e jamais perecerão e ninguém as arrebatará da minha mão. Meu Pai, que lhes deu para mim, é maior do que todos, ninguém pode arrebatá-las da mão de meu pai.” João 10.27-29

Que passagem maravilhosa e encorajante às ovelhas. O Senhor Jesus está dizendo que aqueles que são seus, são Dele por toda a eternidade. Ele está mantendo-os na Sua mão e está cuidando daqueles que o Pai  Lhe deu.

O Bom Pastor conhece as suas ovelhas e é importante que as ovelhas também conheçam o Bom Pastor. Da mesma forma, as ovelhas do rebanho do Reino de Deus também devem conhecer a seus pastores, da mesma forma como o pastor conhece as suas ovelhas.

a.    O pastor possui um coração segundo o coração de Deus

Pastorado não é profissão – é ministério! Quando Jesus designou o apóstolo Pedro para pastorear o rebanho, não perguntou das suas habilidades profissionais, mas sim “amas-me mais do que estes outros?” (João 21.15-17). Quem ama a Jesus, também amará aos que foram resgatados por Jesus e os tratará como Jesus os tratou. Desta forma, o coração do verdadeiro pastor é um coração segundo o coração de Deus.
Jeremias 3.15: “Dar-vos-ei pastores segundo o meu coração, que vos apascentem com conhecimento e com inteligência”.

Um coração semelhante ao de Jesus. Coração amoroso, compassivo, perdoador, encorajador e íntegro. Jesus é o nosso modelo de pastor. O coração de pastor o inclina para buscar a ovelha perdida, fortalecer a fraca e corrigir a rebelde. O coração de pastor sabe conduzir a ovelha a águas tranquilas e repousar em verdes pastos. Veja, que ovelha é um animal que possui uma fome feroz. A todo momento ela está comendo, pois dificilmente fica saciável. Mas o coração do pastor sabe saciar a ovelha a tal ponto, que faz esta deitar sobre a grama verdinha pronta para comer.

b.    O pastor possui um coração paterno que se preocupa com suas ovelhas

No livro do Evangelho de Lucas, capítulo 15 – a seção de Achados e Perdidos da Bíblia – encontramos uma outra face do coração de Deus. Uma face que até então não tinha sido apresentada ao mundo da forma como foi apresentada, e por quem foi apresentada. Jesus, o filho do Pai, estava interessado em revelar o coração paterno de Deus. E uma das formas que ele usou para isso foi comparar um filho a uma ovelha.

Nos versos 4 e 8, Jesus diz que duas coisas muito valiosas foram perdidas: 1 de 100 ovelhas e 1 de 10 moedas. Aparentemente, perder 1 de 100 ovelhas pode não parecer algo grave. Afinal de contas, é uma perda de apenas 1%. Entretanto, para um pastor, era uma perda considerável. Um pastor conhecia cada uma de suas ovelhas pelo nome e, constantemente, contava o seu rebanho para ter certeza de que todas estavam ali. O bom pastor amava suas ovelhas e cuidava muito bem delas.