sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

Estabelecendo o Kairós de Deus


Eclesiastes 3.1-11
1 Para tudo há uma ocasião certa; há um tempo certo para cada propósito debaixo do céu: 2 Tempo de nascer e tempo de morrer, tempo de plantar e tempo de arrancar o que se plantou, 3 tempo de matar e tempo de curar, tempo de derrubar e tempo de construir, 4 tempo de chorar e tempo de rir, tempo de prantear e tempo de dançar, 5 tempo de espalhar pedras e tempo de ajuntá-las, tempo de abraçar e tempo de se conter, 6 tempo de procurar e tempo de desistir, tempo de guardar e tempo de jogar fora, 7 tempo de rasgar e tempo de costurar, tempo de calar e tempo de falar, 8 tempo de amar e tempo de odiar, tempo de lutar e tempo de viver em paz. 9 O que ganha o trabalhador com todo o seu esforço? 10 Tenho visto o fardo que Deus impôs aos homens. 11 Ele fez tudo apropriado ao seu tempo. Também pôs no coração do homem o anseio pela eternidade; mesmo assim ele não consegue compreender inteiramente o que Deus fez.
Tempo é algo fundamental. O tempo controla a nossa vida (se bem que na verdade, o certo deveria ser a nossa vida controlando o tempo!). Ninguém consegue viver bem a sua vida, se não souber lidar com o tempo. O tempo é algo determinante. Sem ele, estamos sem tempo pra tudo. O mundo capitalista diz que “tempo é dinheiro”. O sábio conclui que tempo, dinheiro e saúde (disposição) são coisas que nunca teremos ao mesmo tempo (quando se é jovem, se tem tempo e disposição, mas não se tem dinheiro; quando nos tornamos adultos, temos disposição, podemos ter algum dinheiro, mas dificilmente teremos tempo; quando nos tornamos velhos, temos tempo, podemos ter dinheiro, mas dificilmente teremos disposição).
O tempo é tão importante para a vida do ser humano que ele foi o primeiro dom da Criação. Quando Deus diz “Haja luz, e houve luz” e “... tarde e manhã e dia” (Gênesis cap. 1.3, 5), Deus está estabelecendo os tempos.
Além disso, Deus mostra a importância do tempo quando nos deixa um capítulo inteiro em Sua Palavra para falar acerca do tempo. O capítulo 3 de Eclesiastes começa falando que há tempo para tudo, e um tempo para cada propósito debaixo do céu. Que há tempo para plantar, tempo para colher; tempo para chorar e tempo para se alegrar; tempo de falar e tempo de calar; tempo de viver e tempo de morrer; tempo de amar e até tempo de odiar.
Chronos X Kairós
Na Bíblia temos duas palavras que significam tempo: Chronos e Kairós. Chronos é uma palavra grega que significa tempo sequencial, tempo cronológico. É a hora que é marcada no seu relógio, é uma data na agenda do seu Smartphone, é a data do seu aniversário, casamento. Chronos também significa espaço ou intervalo de tempo. Encontramos Chronos em textos como:
  • Lucas 20.9: o dono da vinha ausentou-se do país por muito tempo
  • João 5.6: o paralítico que estivera doente havia muito tempo
  • Atos 8.11: Simão, o mágico, desde muito tempo iludira os samaritanos com suas artes
  • Atos 13.18: Deus suportou os costumes do povo de Israel no deserto por espaço de quarenta anos.

Já Kairós significa uma ocasião especial, um tempo determinado, ou uma oportunidade. É um tempo dentro do Chronos onde acontece algo muito importante. Um momento certo dentro do Chronos.
  • Atos 17.26: E de um só sangue fez toda a geração dos homens, para habitar sobre toda a face da terra, determinando os tempos já dantes ordenados.
  • Marcos 1.15: Jesus declara que o tempo (Kairós) estava cumprido.

No meio de todo o espaço de tempo que vai passando, existem na história da humanidade como um todo, momentos específicos que Deus já predeterminou como épocas especiais, épocas de mudanças, épocas que abrem novas etapas no desenvolvimento do seu plano na terra. Este é o significado de Kairós: é um momento decisivo dentro do tempo, uma ocasião especial, em que grandes coisas podem acontecer.
O Kairós de Deus
Existe um Kairós específico dentro da vida do ser humano que é o Kairós de Deus. O Kairós de Deus é quando Deus invade o Chronos e estabelece o seu propósito nele. É quando tudo na vida do ser humano começa a fazer sentido. Deus estabelece o seu Kairós através do cumprimento das promessas que um dia Deus fez a mim e a você.
Mas precisamos entender algo: toda promessa que Deus faz vai percorrer um tempo cronológico (Chronos) até que ela se cumpra no tempo determinado por Deus (Kairós). Não importa quanto tempo essa promessa demore a se cumprir, ela se cumprirá no tempo específico de Deus.
Eclesiastes 3.1: “Para tudo há uma ocasião certa; há um tempo certo para cada propósito debaixo do céu.”
Eclesiastes 3.11: “Ele fez tudo apropriado ao seu tempo.”
Gálatas 4.4: “Quando, porém, chegou a plenitude do tempo, enviou Deus o seu Filho, nascido de uma mulher, nascido sob a Lei.”
  • Veja as promessas na vida de Davi, que demorou 10 anos para se tornar rei após ser ungido por Samuel;
  • Ou na vida de José, que viu o seu sonho cumprido e se tornou governador do Egito após ter sido vendido como escravo e preso;
  • Ou na vida de Josué, que saiu do Egito, passou 40 anos no deserto, e entrou na terra prometida.
  • Ou mesmo a de Calebe que esperou 45 anos para que a terra de Hebrom fosse dada a ele por Josué após a promessa de Deus. Josué 14.11,12: "E, ainda hoje, estou tão forte como no dia em que Moisés me enviou; qual a minha força então era, tal é agora a minha força, para a guerra, e para sair, e para entrar. Agora, pois, dá-me este monte de que o SENHOR falou aquele dia.”

Se Deus falou com algo você, continue vivendo o seu dia a dia, continue vivendo a sua rotina, o seu Chronos, mas alimente a esperança dessa promessa, por que chagará o tempo em que o Kairós de Deus vai ser manifestado em sua vida.
II Pedro 3.9: "O Senhor não retarda a sua promessa, ainda que alguns a têm por tardia; mas é longânimo para conosco, não querendo que alguns se percam, senão que todos venham a arrepender-se.”
Quando é o Kairós de Deus em nossas vidas
Nesse mundo competitivo vemos por aí que precisamos criar as nossas próprias oportunidades, e ir atrás de nossos alvos com determinação. Isso é uma verdade. Entretanto, nós, os que entregamos as nossas vidas a Deus, não podemos nos esquecer, que agora o nosso Kairós tem que se submeter ao Kairós de Deus. Não podemos de forma alguma perder a maior lição deste conceito de Kairós: a nossa dependência da ação divina para entrarmos de fato no momento de oportunidade e de progresso de acordo com o plano de Deus para a nossa vida, família, ministério, etc. Jesus certa vez discutiu com seus irmãos exatamente sobre isto. A questão era a Festa dos Tabernáculos, e os irmãos naturais de Jesus, num tom aparentemente de sarcasmo, estavam dizendo que ele deveria subir a Jerusalém para fazer sucesso e se tornar conhecido. Era um momento de oportunidade, e segundo eles, dependia só de Jesus tirar proveito dele. A resposta de Jesus foi sobre a diferença entre seu Kairós e o Kairós de quem é dono da sua própria vida. “O meu tempo (Kairós) ainda não chegou”, ele disse; “o vosso, porém, sempre está pronto” (João 7.1-8). A mesma coisa ocorreu no casamento de Caná quando Jesus responde a Maria, sua mãe: "Que tenho eu contigo, mulher? ainda não é chegada a minha hora." (João 2.4), como uma forma de dizer que a vontade de Jesus não dependia do tempo dos homens, mas do tempo de Deus.
O papel do Espírito Santo no Kairós de Deus
Mateus 1.18-25
18 Foi assim o nascimento de Jesus Cristo: Maria, sua mãe, estava prometida em casamento a José, mas, antes que se unissem, achou-se grávida pelo Espírito Santo. 19 Por ser José, seu marido, um homem justo, e não querendo expô-la à desonra pública, pretendia anular o casamento secretamente. 20 Mas, depois de ter pensado nisso, apareceu-lhe um anjo do Senhor em sonho e disse: “José, filho de Davi, não tema receber Maria como sua esposa, pois o que nela foi gerado procede do Espírito Santo. 21 Ela dará à luz um filho, e você deverá dar-lhe o nome de Jesus, porque ele salvará o seu povo dos seus pecados”. 22 Tudo isso aconteceu para que se cumprisse o que o Senhor dissera pelo profeta: 23 “A virgem ficará grávida e dará à luz um filho, e lhe chamarão Emanuel”, que significa “Deus conosco”. 24 Ao acordar, José fez o que o anjo do Senhor lhe tinha ordenado e recebeu Maria como sua esposa. 25 Mas não teve relações com ela enquanto ela não deu à luz um filho. E ele lhe pôs o nome de Jesus.
Deus chama José e Maria – em seu tempo Kairós – para serem os pais de Jesus. José e Maria então aceitam participar desse propósito de Deus, estabelecendo o Kairós nas vidas deles justamente por que o Espírito Santo já tinha começado uma obra em suas vidas. O Espírito Santo tinha passado anos e anos trabalhando na obediência e fidelidade de Maria, e na justiça de José. Dentro do Kairós de Deus, o Espírito Santo age para disponibilizar as nossas vidas para o Pai celeste de forma que quando o Kairós de Deus chegar, nós estejamos prontos para discernir este tempo e aceitar este propósito. Ele trabalha em nós de forma que quando o Pai precise de nós (no tempo Kairós), estejamos prontos para o Pai.
Em Lucas 19.41-44, vemos Jesus chorando sobre Jerusalém. Há apenas dois momentos em que a Bíblia registra que Jesus chora: um é de tristeza humana quando da morte de Lázaro; o outro é um choro profético por causa da cidade Jerusalém. Vê que ela não tem a paz que realmente importa: A paz de Deus. Vê a cidade cega e surda: Ela vê, mas não enxerga, ela ouve, mas não escuta. Ela foi visitada por Deus — e não conheceu o tempo de sua visitação. A cidade procura tapar a sua miséria, a sua injustiça oculta com cerimônias no templo e com gritos de “hosana”, com “vivas” dadas ao homem da Galileia que gostariam de ver como rei, como libertador político. Mas a cidade, em realidade não sabe o que está acontecendo. Não conhece a hora (o Kairós) em que Deus chegou tão perto deles que podiam tocá-lo com as mãos. Para conhecê-lo, ela deveria mostrar sua miséria, deveria, igual a Nínive, confessar os seus pecados. Para conhecer, deveria aceitar o evangelho.
“Quando ia chegando, vendo a cidade, chorou sobre ela, dizendo: Ah! se tu conhecesses, ao menos neste teu dia, o que à tua paz pertence! Mas agora isso está encoberto aos teus olhos. Dias virão sobre ti em que os teus inimigos te cercarão de trincheiras, e te sitiarão, e te apertarão de todos os lados. Derrubar-te-ão, a ti e a teus filhos que dentro de ti estiverem. Não deixarão em ti pedra sobre pedra, porque não reconheceste o tempo da tua visitação.”
Aproveite a oportunidade (Amyr Klink)
Já ancorado na Antártida, ouvi ruídos que pareciam de fritura. Pensei: será que até aqui existem chineses fritando pastéis? Eram cristais de água doce congelada que faziam aquele som quando entravam em contato com a água salgada. O efeito visual era belíssimo. Pensei em fotografar, mas falei para mim mesmo: Calma, você terá muito tempo para isso... Nos 365 dias que se seguiram, o fenômeno não se repetiu. Algumas oportunidades são únicas.

Como diz o sábio: “só existem dois dias no ano em que nada pode ser feito. Um se chama ONTEM e o outro AMANHÔ. Portanto HOJE é o dia certo para AMAR, FAZER, VIVER e principalmente CRER.

Como fazer as bênçãos chegar em nossas casas



Houve um momento na vida de Jairo em que ele se deparou com um grande momento de dificuldade: sua filha estava morrendo. De acordo com Lucas 8.42, Jairo estava perdendo a sua única filha. Uma coisa é você perder algo que é importante dentre outras coisas importantes. Outra coisa é você perder a única coisa importante que você tem. E Jairo estava passando por isso. Jairo era um dos principais da sinagoga de sua cidade. A sinagoga é o lugar onde os judeus reúnem-se para adorar a Deus e para lerem as Escrituras, geralmente aos sábados. Jesus freqüentemente ensinava em sinagogas e confirmou isso em seu julgamento em João 18. Obviamente Jairo já deveria ter ouvido falar de Jesus em algum momento quando ele estava nas sinagogas. Naquela época Jesus já estava com seu ministério em pleno funcionamento, realizando milagres e prodígios, curando, libertando e ressuscitando, e Jairo talvez deva ter pensado que Jesus fosse sua única esperança para salvar a vida de sua filha. A fonte de salvação de sua vida. Então ele decidiu ir até Jesus, mas Jairo precisou vencer algumas coisas para que a bênção pudesse chegar até a sua casa.
1.     VENCER O ORGULHO. HUMILHAR-SE DIANTE DE DEUS
A Bíblia nos mostra que havia uma grande multidão seguindo a Jesus quando Jairo achegou-se a Ele implorando que fosse até a sua casa curar a sua filha. Jairo era um homem influente e famoso entre os judeus e muitos dos que estavam ali fatalmente conheciam a Jairo e a sua reputação. Entretanto, o versículo 22, nos mostra que Jairo não se incomodou com seu status social e nem com sua condição elevada dentre o povo e, indo até Jesus, se prostrou diante dele e o adorou. Uma coisa que um judeu não faz é se prostra diante de outro que não seja Deus – a idolatria do judeu ficou no cativeiro da Babilônia. Não deve ter sido fácil para Jairo se prostrar diante de Jesus devido às suas convicções religiosas. Mas ele venceu seu orgulho, reputação e condição social e adorou ao Cristo, em um ato de confirmação pública que agora Jesus era seu Senhor e Salvador.
O orgulho de Saul
Às vezes nós estamos dentro da igreja, mas afastados de Deus, afastados do centro da vontade de Deus e isso torna-nos orgulhosos. Por causa do seu orgulho, Saul foi rejeitado por Deus e perdeu a sua bênção. Às vezes perguntamos: “– Por que Deus não me abençoa?”, mas esquecemos que estamos com um “Saul” enorme dentro de nós.
O orgulho de Naamã (II Reis 5.1-19)
O texto bíblico declara que Naamã esperava que o profeta de Deus viesse recebê-lo à porta, – quem sabe, com um tapete vermelho, impressionado com sua riqueza, bom gosto e prestígio e faria um ritual elaborado diante dele, pelo qual estaria disposto a pagar muito bem (se resolvesse o seu problema, é claro). Mas, Deus é sábio e resolveu quebrar o orgulho de Naamã por meio do profeta, que, além de nem sair pra fora para ver “o importante general sírio”, enviou um moleque de recado para lhe ordenar que se banhasse sete vezes no barrento Rio Jordão. Naamã se revoltou. Revelou o orgulho que havia em seu coração e negou-se a cumprir a ordem do profeta. Não fossem seus soldados a convencê-lo a obedecer, Naamã teria voltado para a Síria exatamente do mesmo jeito que de lá viera. Mas seus soldados o amavam (até chamavam-no de “pai”) e insistiram com ele, e ele cedeu. Mesmo contrafeito, tomou o banho da humilhação sete vezes (o número sete é o número-símbolo daquilo que é perfeito ou completo – isto significa que Naamã foi completamente humilhado diante dos seus soldados). Quando Deus viu que Naamã se humilhou, restaurou a sua saúde!
Deus quer primeiro tirar o nosso orgulho para que realmente a bênção chegue até nós. Quantos testemunhos nós já ouvimos dizendo que tal irmão foi abençoado com um emprego, mas que após isso não teve mais tempo pra obra de Deus. Temos que entender que Deus não nos dará nada que nos afaste dele e se nos afastarmos, é por que ainda estamos pensando muito em nós. A bênção chegará a nossa casa quando estivermos realmente livres de todo orgulho, reconhecendo que dependemos de Cristo para tudo.
Tiago 4.6: “Deus resiste aos soberbos; porém, dá graça aos humildes”
2.     VENCER O EGOÍSMO ESPIRITUAL
No meio do caminho para a casa de Jairo, a Bíblia nos mostra que Jesus parou para curar uma mulher que sofria de hemorragia há doze anos. A Bíblia nos revela a condição que aquela mulher estava: sofrendo demais, sem recursos financeiros algum, e desenganada pelos médicos. Mas Jesus parou para curá-la para nos ensinar algo: em muitos momentos olhamos demais para as bênçãos recebidas pelos irmãos que nos esquecemos até das nossas.
Salmo 49.16: “Não se preocupe quando alguém fica rico, e a sua riqueza aumenta cada vez mais”.
Gálatas 5.26: “Nós não devemos ser orgulhosos, nem provocar ninguém, nem ter inveja uns dos outros”.
Evitar a murmuração
Jairo pode ter pensado: “– Mas Mestre, a minha casa está tão perto, a minha bênção está tão próxima de chegar, por que o Senhor vai parar para abençoar outro?”. E novamente: “– Por que o Senhor não me abençoa?”. Com o egoísmo espiritual sempre vem de brinde a murmuração. Quando não conseguimos entender que Deus tem seus propósitos em tudo que faz e abençoa a cada um no seu devido tempo, corremos um grande risco de murmurar contra o Senhor e realmente perder a nossa bênção.
Nossas bênçãos estão tão próximas de nós quanto a nossa capacidade de nos alegrarmos juntamente com nossos irmãos quando estes são abençoados.
3.     VENCER AS PALAVRAS CONTRÁRIAS
Outro obstáculo que Jairo venceu foram as palavras contrárias. No versículo 35 vemos alguns parentes, amigos ou conhecidos de Jairo que se achegaram a ele e disseram que sua filha estava morta. É bem provável que nesse momento Jairo tenha se entristecido com aquelas palavras ditas pelos seus a tal ponto que foi necessário que Jesus consolasse a Jairo com uma palavra, enchendo-o de fé.
Em nossa caminhada com Deus, muitas pessoas vão aparecer diante de nós tentando nos fazer sair do lugar da bênção. Mas não devemos nos esquecer que sempre quem dá a última palavra é Jesus. A última palavra é sempre a dele.
4.     CONTINUAR DE QUALQUER JEITO
“E, tomando a mão da menina, disse-lhe: Talita cumi, que, traduzido, é:
Menina, a ti te digo, levanta-te”. (Marcos 5:41)

No original grego a palavra “cumi” significa “levante, de qualquer jeito”. E é isso que Deus quer fazer hoje conosco: que nos levantamos como estamos, tomemos nossa posição diante do Senhor, neguemos o nosso orgulho e o nosso egoísmo espiritual, nos fortaleçamos com as armaduras do Senhor e resistamos as palavras contrárias, para que as nossas bênçãos cheguem em nossas casa, para que os nossos sonhos sejam realizados no Senhor.

O sonho de Deus




Lucas 15.11-24
11 Jesus continuou: “Um homem tinha dois filhos. 12 O mais novo disse ao seu pai: ‘Pai, quero a minha parte da herança’. Assim, ele repartiu sua propriedade entre eles. 13 Não muito tempo depois, o filho mais novo reuniu tudo o que tinha, e foi para uma região distante; e lá desperdiçou os seus bens vivendo irresponsavelmente. 14 Depois de ter gasto tudo, houve uma grande fome em toda aquela região, e ele começou a passar necessidade. 15 Por isso foi empregar-se com um dos cidadãos daquela região, que o mandou para o seu campo a fim de cuidar de porcos. 16 Ele desejava encher o estômago com as vagens de alfarrobeira que os porcos comiam, mas ninguém lhe dava nada. 17 Caindo em si, ele disse: ‘Quantos empregados de meu pai têm comida de sobra, e eu aqui, morrendo de fome! 18 Eu me porei a caminho e voltarei para meu pai, e lhe direi: Pai, pequei contra o céu e contra ti. 19 Não sou mais digno de ser chamado teu filho; trata-me como um dos teus empregados’. 20 A seguir, levantou-se e foi para seu pai. Estando ainda longe, seu pai o viu e, cheio de compaixão, correu para seu filho, e o abraçou e beijou. 21 O filho lhe disse: ‘Pai, pequei contra o céu e contra ti. Não sou mais digno de ser chamado teu filhoa’. 22 Mas o pai disse aos seus servos: ‘Depressa! Tragam a melhor roupa e vistam nele. Coloquem um anel em seu dedo e calçados em seus pés. 23 Tragam o novilho gordo e matem-no. Vamos fazer uma festa e alegrar-nos. 24 Pois este meu filho estava morto e voltou à vida; estava perdido e foi achado’. E começaram a festejar o seu regresso.”
O início do capítulo 15 do livro de Lucas nos revela uma situação na qual Jesus estava assentado com publicanos, pecadores e também com os fariseus. E naquele momento Jesus começa a ensinar algo através de três parábolas: a parábola da ovelha perdida, na qual um homem que tinha 100 ovelhas e perde uma, volta para buscar a que está perdida, e quando a encontra, se enche de alegria; a parábola da mulher que tinha 10 moedas e, perdendo uma, faz de tudo para encontrá-la, e quando a encontra, se enche de alegria; e termina contando a parábola de um pai que perdeu o seu filho, e quando o acha novamente, realiza uma festa e se alegra grandemente. O interessante foi pra quem Jesus contou estas três parábolas. Os publicanos eram cobradores de impostos, pessoas desonestas, que eram totalmente desacreditas pela sociedade da época devido a sua desonestidade. Tinham também os pecadores, de todos os tipos e pecados. Pessoas que eram marginalizadas pelas outras, pois não conseguiam corresponder ao padrão de vida que era exigido. Ou seja, Jesus conta estas parábolas para pessoas que por um motivo ou outro deixaram de sonhar, deixaram de viver uma vida plena.
Mas por que Jesus conta estas parábolas a este grupo de pessoas? Por que Jesus se assentava junto à mesa com pecadores sabendo que os fariseus estavam ali a todo tempo escarnecendo dele? Talvez por que Jesus conhecia o jugo pesado que estivesse sobre aquelas pessoas e que elas precisavam muito ouvir algo diferente daquilo que eles ouviam dos fariseus. Que eles precisavam ouvir algo novo para estimulá-los a viver e a sonhar novamente. Mas não apenas por isso. Mas por que aquelas pessoas faziam parte do sonho de Deus.
Neste trecho que acabamos de ler vê-se um jovem moço, que tinha sonhos que gostaria de realizar, tinha vontade de viver a sua vida. Um jovem que possuía muitas coisas: ele tinha uma família rica, uma herança junto ao pai, empregados para servi-lo de dia e de noite, etc. Mas ele quisesse viver os seus sonhos e talvez isso tenha sido a motivação do seu coração em ir ao seu pai e pedir a parte da herança que era dele. Todos nós temos e devemos ter sonhos. Sonhar é o combustível que move a nossa vida. Quando não sonhamos estamos mortos para a nossa própria existência. Vivemos a vida esperando o tempo passar para ver se algo acontece. E realmente vai acontecer: o caos. Aquele moço decidiu corretamente viver os seus sonhos, buscando realizá-los. Entretanto ele cometeu alguns erros que fez com que seus sonhos se frustrassem.
Não esperar o tempo certo para viver seus sonhos
Nos versículos 12 e 13 vemos o filho moço ir pedir ao seu pai a parte da herança que ele tinha e logo depois saindo de casa para viver seus sonhos. Herança é algo que nós não recebemos até que o pai morra, ou então quando decidi por vontade própria dividi-la e entregá-la aos seus filhos. Quando o filho moço decidiu pedir a sua parte da herança e foi viver seus sonhos, ele não esperou o tempo do seu pai. Quando não esperamos o tempo de Deus em nossas vidas e buscamos viver os nossos sonhos por acharmos que já “esperamos tempo demais”, existe uma grande possibilidade de não realizarmos os nossos sonhos e frustramos os nossos corações. No livro de Provérbios 21.5 diz: “Os planos bem elaborados levam à fartura, mas o apressado sempre acaba na miséria.”. E foi o que aconteceu com este jovem. Talvez ele até tenha planejado bem como ele iria realizar seus sonhos: “Ah! Meu pai é muito rico, eu vou ter muito dinheiro com a herança dele. Esse dinheiro nunca vai acabar, mas mesmo se acabar eu conseguirei um emprego e me mantenho.”. Mas a imaturidade cobrou seu preço e ele começou a viver irresponsavelmente. Muitas vezes o tempo de Deus é necessário para tirar de nós a nossa imaturidade e nos fazer crescer de forma que quando nos depararmos com situações que exijam de nós uma tomada de decisão, nós a possamos fazer de forma madura. Às vezes Deus tem muita pressa em realizar nossos sonhos, às vezes Deus não pressa alguma em fazer isso, pois quer tirar de nós a nossa imaturidade.
Viver uma ilusão pensando ser um sonho
Outro erro cometido pelo jovem moço foi achar que aquilo que ele vivia realmente era um sonho digno de ser vivido. A Bíblia não fala qual eram os sonhos daquele moço, mas fala da forma como ele passou a viver a vida dele após receber toda a herança: de forma irresponsável (v. 13b) ou de qualidade inferior, como diz em outra versão. Muitas vezes estamos vivendo ilusões pensando que são sonhos. Quantos de nós não já vivemos uma ilusão pensando ser um sonho? Alguma vez nós já não fomos enganados pelos desejos do nosso coração? Deixe-me contar uma história pra vocês de como o nosso coração é enganoso. Havia uma criança muito pobre que tinha um sonho de comer uma bola de sorvete com cobertura. Certa vez ela juntou uma quantidade de moedinhas e foi à sorveteria comprar seu tão sonhado sorvete. Chegando lá, encontrou uma garçonete, muito atarefada, que tinha o sonho de comprar uma bicicleta para ir trabalhar e ela ia conseguir isso através das gorjetas que ia recebendo. A criança pergunta quanto custa uma bola de sorvete com cobertura. A garçonete responde: “- 50 centavos”. A criança conta as moedinhas e pergunta de novo: “- E uma bola simples?”. “- 35 centavos. Vai decidindo aí que eu volto logo por que eu estou muito atarefada.” reponde a moça. Quando a garçonete volta, a criança diz que quer então uma bola simples de morango. A moça vai pegar a bola e dá pra criança. Então a criança deixa todas as moedinhas que ela tinha sobre o balcão e vai embora. Quando a garçonete começa a contar as moedinhas, seus olhos começam a encher de água e quando termina de contar, ela na resiste e vai aos prantos. A quantia de moedinhas deixada pela criança dava 50 centavos exatamente. Ela tinha pedido uma bola simples para ainda sobrar dinheiro para dar gorjeta àquela garçonete. Ela tinha deixado o seu sonho por causa de outro.
Mesmo dentro da igreja, às vezes pensamos que certos sonhos são de Deus quando na verdade são desejos dos nossos corações e pelo fato de não buscarmos uma resposta de Deus a respeito destes desejos, eles se tornam gigantes dentro de nós mesmos afetando até o nosso relacionamento com o Pai. Em Provérbios 16.1 temos: “ao homem pertencem os planos do coração, mas do Senhor vem a resposta da língua.”. Coloque seus desejos a Deus e espere a resposta dEle para saber se realmente vale a pena segui-los como sonhos.
Viver seus sonhos longe da presença do pai
Com certeza o maior erro do jovem moço foi viver a sua vida, os seus sonhos, longe da presença do pai. Quando ele estava com o pai, ele tinha tudo, tudo que eu o pai tinha era dele também, e seus sonhos com certeza poderiam ser realizados na presença do seu pai. Mas por quê? Por que nós somos o sonho de Deus. Mesmo o filho moço estando longe, em uma terra distante, o seu pai nunca esteve separado dele. Ele sabia de tudo que acontecia com seu filho. Sabia que ele estava passando por necessidades e por dificuldades e aguardava a volta do seu amado filho. A volta do seu sonho. Nós somos o sonho de Deus. Nós fomos idealizados e criados por Deus como a sua obra mais bela. A coroa da sua criação. Deus colocou em nós a sua perfeição, o seu amor, Deus nos deu o seu Espírito, a sua vida, e o seu filho para morrer por nós na cruz do Calvário mesmo nós ainda estando longe. O sonho de Jesus era a cruz, pois lá ele cumpriria o sonho do seu Pai. E Deus colocou em nós o seu sonho. Deus colocou em nós o sonho de irmos atrás da ovelha perdida, da moeda perdida, de irmos atrás do filho perdido, de falarmos a publicanos e pecadores que o seu filho, Jesus, realizou o seu sonho. Deus nos chamou para sermos vendedores de sonhos, do sonho de Deus.