quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

Qual casa nós temos edificado - Parte 2


Antes de começar a ler essa mensagem, leia os textos de Hebreus 3.1-6, Atos 7.48-50, Atos 17.24.

Nós fomos criados a imagem e semelhança de Deus (Gênesis 1.26). Somos feitura sua, criados para o louvor da sua glória. Deus colocou em nós o fôlego de vida e fomos criados para sermos sua habitação. Ele fez tudo isso para vir morar dentro de nós. Não há outro lugar onde Deus queira estar senão habitando dentro do homem.
Houve um tempo em que um homem obedeceu a Deus, então Deus começou a andar com os homens. Houve outro tempo em que o próprio Deus começou a andar no meio dos homens. Este tempo foi quando Cristo deixou a sua habitação celeste e veio habitar e andar entre nós. Mas agora é o tempo onde Deus não mais anda com os homens ou anda no meio dos homens, mas o tempo onde Deus anda dentro do homem.

A Bíblia fala nos textos que lemos, e em outros demais textos, que Deus não habita mais em templos feitos por mãos humanas. Nós somos o atual local de habitação de Deus. Nós somos morada, a Casa de Deus.

Deus edifica a casa sobre a rocha

Antes de tudo, temos que entender que Deus é que é o engenheiro, arquiteto, mestre de obras, pedreiro e pintor da nossa casa. A Bíblia diz em Salmos 127.1 que “Se o Senhor não edificar a casa em vão trabalham os que a edificam”. O Antigo Testamento nos mostra que o Tabernáculo de Moisés e o Tabernáculo de Davi eram os locais da habitação de Deus – onde a Arca da Aliança se encontrava. Era o local da presença de Deus, onde Deus falava ao povo, onde se encontravam as tábuas da lei, e onde era oferecidos louvores e sacrifícios ao Senhor. Quando Deus manda construir o Tabernáculo (de Moisés) ou restaurá-lo (de Davi), Deus dá instruções minuciosas acerca de como deveriam ser esses tabernáculos. Da mesma forma hoje, é Deus quem edifica o seu local de habitação – nós – e nos dá instruções de como devemos fazer isso. A principal instrução que o Senhor dá é que nós devemos construir a nossa casa sobre a rocha, que é Cristo.

Tempestades, inundações, ventanias ou uma boa garrafa de vinho?

Mateus 7.24-27: “Todo aquele, pois, que escuta estas minhas palavras, e as pratica, assemelhá-lo-ei ao homem prudente, que edificou a sua casa sobre a rocha; e desceu a chuva, e correram rios, e assopraram ventos, e combateram aquela casa, e não caiu, porque estava edificada sobre a rocha. E aquele que ouve estas minhas palavras, e não as cumpre, compará-lo-ei ao homem insensato, que edificou a sua casa sobre a areia; e desceu a chuva, e correram rios, e assopraram ventos, e combateram aquela casa, e caiu, e foi grande a sua queda”.

Apesar dessa parábola de Jesus ser tão conhecida muitos ainda a ignoram. E o que é prior: muitos dentro da própria igreja. Vemos hoje muitos líderes religiosos ensinando que o Evangelho é a solução de todos os seus problemas: “venha para Cristo e pare de sofrer” ou “tome a pílula de dose única do Evangelho e fique curado da depressão” ou mais ainda “invista seu dinheiro no banco do Evangelho e tenha seus problemas financeiros resolvidos”. O nosso mestre foi bastante claro ao ensinar que no mundo não estaríamos livres de aflições e lutas. C. S. Lewis, um dos maiores teólogos do sec. XX e que passou por muito sofrimento nesta vida, estava certo quando declarou: “Aqueles que querem sentir-se bem eu não recomendo o Evangelho. Recomendo uma boa garrafa de vinho”.

A grande diferença entre os que não querem saber de dificuldades ou se desesperam diante delas, e aqueles que as encaram como parte do crescimento e aperfeiçoamento da vida aqui terra, está no local a casa está sendo edificado. Se a fé e confiança estiverem baseadas apenas em crenças e religiosidade, isso demonstra que a casa tem sido construída sobre a areia. Desta forma, quando as tempestades vierem, a casa certamente não permanecerá. Entretanto, existem aqueles que escolheram edificar sua casa em terra firme. Esta é a casa edificada sobre a rocha, que é Cristo e Sua palavra. Essa casa também não estará imune às tempestades, inundações e ventanias, mas ela não será abalada nem destruída.

Mudando as coisas de lugar

Mateus 21.12-14: ”Jesus entrou no templo e expulsou todos os que ali estavam comprando e vendendo. Derrubou as mesas dos cambistas e as cadeiras dos que vendiam pombas, e lhes disse: Está escrito: ‘A minha casa será chamada casa de oração’; mas vocês estão fazendo dela um ‘covil de ladrões’. Os cegos e os mancos aproximaram-se dele no templo, e ele os curou.”

Quando eu era criança e morava na casa da minha mãe, por muitas vezes eu a vi trabalhando para arrumar e casa (e não maioria das vezes a casa estava bagunçada por minha causa). A minha mãe fazia isso por que ela não suportava ver a casa bagunçada e também por que ela recebia muitas visitas em casa e queria mostrar uma casa arrumada e bonita aos visitantes.

No capítulo 21 versículos 12 a 14 do Evangelho de Mateus, lemos um episódio em que o nosso Mestre ficou revoltado com as coisas que estava acontecendo dentro do templo: mercadores que estava lá apenas para fazer comércio. Jesus então os expulsou de lá, derrubou as mesas e cadeiras e limpou todo o templo. Após isso, Ele começou a curar os enfermos e afirmou: “minha casa será chamada casa de oração”.

Esta passagem bíblica nos traz uma aplicação para a igreja em geral. Uma aplicação bastante atual para uma igreja que tem se desviado do seu papel principal – levar a salvação através de Cristo ao homem – e tem se corrompido com “teologias da prosperidade” que estão fora de toda base bíblica. Mas essa passagem também tem uma aplicação espiritual pessoal na vida do Cristão: assim como Jesus fez no passado naquele templo, Ele quer fazer atualmente em nós, tirando tudo aquilo que está errado, que não vem de Deus, que não serve para sua glória e nos encher do seu caráter e das suas virtudes.

Jesus nos ensinou que após a limpeza, temos que ser uma casa de oração, uma casa de cura, uma casa de poder. Mas existe algo que devemos observar: assim como o templo físico (edifício) precisa de uma limpeza constante, a atual casa de habitação de Deus – nós – também precisa ser lima constantemente. E Deus faz isso pelos mesmos motivos que a nossa mãe faz quando arruma a casa: (1) Ele não suporta bagunça (no caso, o pecado em nossas vidas); (2) ele quer que sejamos bem vistos pelos nossos visitantes (ou seja, temos que refletir que somos parecidos com Cristo em tudo para as pessoas que ainda não tiveram um encontro pessoal com Deus).

“Estou em obras. Essa morada um dia será perfeição”

Filipenses 1.6: “Estou convencido de que aquele que começou boa obra em vocês, vai completá-la até o dia de Cristo Jesus.”
I Pedro 2.5: “Vocês também estão sendo utilizados como pedras vivas na edificação de uma casa espiritual para serem sacerdócio santo, oferecendo sacrifícios espirituais aceitáveis a Deus, por meio de Jesus Cristo.”
Efésios 2.22: “Nele vocês também estão sendo juntamente edificados, para se tornarem morada de Deus por seu Espírito”
I Coríntios 3.16: “Vocês não sabem que são santuário de Deus e que o Espírito de Deus habita em vocês?”

Devemos deixar o Espírito Santo nos limpar a cada dia, nos convencer dos nossos pecados e permitir que Jesus arrume todas as mesas, cadeiras, sofá, cama, que estão em posição errada em nosso templo. Não dá para ser a mesma pessoa depois que Jesus começa a morar dentro de nós.

A casa onde Deus deseja estar: a Casa de “Lázaro, Marta e Maria”

Lucas 10.38: “Caminhando Jesus e os seus discípulos, chegaram a um povoado, onde certa mulher chamada Marta o recebeu em sua casa”.
Em João 11.5 nós entendemos que Jesus amava Lázaro, Marta e Maria. Logo Jesus também amava estar na casa de Lázaro, Marta e Maria. Talvez a casa deles fosse a casa favorita de Jesus, enquanto o Mestre esteve andando sobre esta terra.

Casa de intimidade: Lázaro era amigo íntimo de Jesus (João 11.11). Foi por Lázaro que Jesus chorou como homem (João 11.35). Isso demonstra que Jesus gostava de estar na casa de Lázaro, pois se sentia bem na casa do amigo. Da mesma forma nós temos que ser amigos íntimos de Deus. E quando se fala em intimidade, se fala em se relacionar e também em passar tempo com essa pessoa.

Casa de servo: Marta servia ao Senhor Jesus (Lucas 10.39). Marta possuía o ministério de servir ao Senhor quando esse estivesse em sua casa. Da mesma forma nós temos que possuir o mesmo prazer em servir ao Senhor Jesus quando este fizer morada em nós. Todo cristão tem um ministério, ou vários ministérios, no qual Deus confia que sejam realizados obras. Não existe Cristão sem ministério assim como não existe fé sem obra (Tiago 2.17)


Casa de adoração: enquanto Marta se preocupava com o serviço na casa, Maria adorava ao Senhor Jesus. Maria queria estar diante de Jesus, para aprender, para ouvir, para adorar, para alegrar-se, para se aconselhar expondo os seus sentimentos abrindo a sua alma perante o Senhor. Deus vai começar a visitar mais a nossa casa espiritual quando verdadeiramente o adorarmos em espírito e em verdade (João 4.23).

quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

Qual casa nós temos edificado - Parte 1



Ageu 1:1-11:

1 No primeiro dia do sexto mês do segundo ano do reinado de Dario, a palavra do Senhor veio por meio do profeta Ageu ao governador de Judá, Zorobabel, filho de Sealtiel, e ao sumo sacerdote Josué, filho de Jeozadaque, dizendo: 2 “Assim diz o Senhor dos Exércitos: Este povo afirma: ‘Ainda não chegou o tempo de reconstruir a casa do Senhor’”. 3 Por isso, a palavra do Senhor veio novamente por meio do profeta Ageu: 4 “Acaso é tempo de vocês morarem em casas de fino acabamento, enquanto a minha casa continua destruída?” 5 Agora, assim diz o Senhor dos Exércitos: “Vejam aonde os seus caminhos os levaram. 6 Vocês têm plantado muito, e colhido pouco. Vocês comem, mas não se fartam. Bebem, mas não se satisfazem. Vestem-se, mas não se aquecem. Aquele que recebe salário, recebe-o para colocá-lo numa bolsa furada”. 7 Assim diz o Senhor dos Exércitos: “Vejam aonde os seus caminhos os levaram! 8 Subam o monte para trazer madeira. Construam o templo, para que eu me alegre e nele seja glorificado”, diz o Senhor. 9 “Vocês esperavam muito, mas, eis que veio pouco. E o que vocês trouxeram para casa eu dissipei com um sopro. E por que o fiz?”, pergunta o Senhor dos Exércitos. “Por causa do meu templo, que ainda está destruído, enquanto cada um de vocês se ocupa com a sua própria casa. 10 Por isso, por causa de vocês, o céu reteve o orvalho e a terra deixou de dar o seu fruto. 11 Nos campos e nos montes provoquei uma seca que atingiu o trigo, o vinho, o azeite e tudo mais que a terra produz, e também os homens e o gado. O trabalho das mãos de vocês foi prejudicado”. 

Estas palavras foram ditas por Deus a seu povo através do profeta Ageu (Ageu 1:1), num contexto onde Israel tinha voltado para Jerusalém do cativeiro babilônico, do qual o Senhor os havia resgatado (Esdras 2:1-2). Foi devido a constante desobediência de Israel, que ele havia sido levado cativo (Deuteronômio 28:49-52; 30:17-18). E agora, com o retorno do povo a sua terra, tudo estava em ruínas, inclusive o templo do Senhor (2 Reis 25:8-9), que representava a habitação de Deus no meio deles (1 Crônicas 22:19; 2 Crônicas 5:7; 6:1-11). Aquele templo que tinha sido construído por Salomão através da ordem do próprio Deus para construir. O templo que transformava Jerusalém na capital espiritual do Universo, já que a presença de Deus estava lá. Na Arca da Aliança, por trás dos dois querubins emanava uma luz que era a Shekiná, a presença manifesta de Deus naquele lugar. O povo resgatado daquele cativeiro deveria agora priorizar a reconstrução do templo, pois desta forma é que agradariam o Senhor e o glorificariam (Ageu 1:8). Então o povo começa a reconstrução do templo (Esdras 1: 1-11, 3:8), porém depois de um tempo a interromperam (Esdras 4:24). Eles estavam desanimados e parados com respeito a obra da Casa do Senhor. Dentre os vários motivos que os levaram a interromper este trabalho (Esdras 4), o Senhor destacou o contraste entre a indisposição do povo em reconstruir o seu Templo (“...Não veio ainda o tempo, o tempo em que a Casa do Senhor deve ser edificada...”) e a disposição em construírem para si mesmos belas casas: “Acaso, é tempo de habitardes vós em casas de fino acabamento, enquanto esta casa permanece em ruínas?. A presença do Senhor no meio deles era o mais importante. Reconstruir a Casa do Senhor deveria ser sua prioridade.

Sabemos que o Senhor não nos ordena reconstruir para ele um templo físico hoje, pois os seus próprios servos, na Nova Aliança, são a sua habitação (João 14:23; Atos 17:24; 1 Pedro 2:5; 1 Coríntios 3:16-17). Mas podemos tirar algumas lições desta afirmação do Senhor a respeito da atitude do seu povo:

Devemos negar a construção da casa do nosso “Eu”

1. Dentre outras coisas, servir o Senhor exige negação (Marcos 8:34-35), mudança de mentalidade (Romanos 12:2), mudança de vida (Romanos 6:1-4).
2. Enquanto o foco de nossas vidas for “construir nossas próprias casas” não vamos agradar o Senhor, não edificaremos “a Casa do Senhor”. O próprio Jesus afirma que não podemos servir a dois senhores (Mateus 6:24). Ele desafiou o jovem rico a se desligar totalmente de seus bens, de tudo aquilo que ele havia construído e mais valorizava na vida, para seguí-lo (Marcos 10:21-22).
3. Não devemos ignorar as ordens e advertências do Senhor a respeito do perigo de sermos iludidos pela nossa própria cegueira. Ele nos adverti a respeito do cuidado exagerado pelas coisas desta vida (Marcos 4:7,18-19; Mateus 6:19-21).
4. É possível estarmos parados na obra principal e nem nos darmos conta? Sem negar as responsabilidades e necessidades que temos na vida aqui, devemos ter o cuidado de que estas coisas não nos atrapalhem na meta principal, não venham a se tornar para nós motivo de não edificar “a Casa do Senhor” (Mateus 6:32-33; Eclesiastes 12:13).

Devemos edificar a nossa casa espiritual

1. Frequentemente imaginamos que ainda não é tempo de servir a Deus. Nós nos preocupamos em primeiro resolver nossas vidas aqui, enquanto as coisas de Deus ficam para depois. Pessoas vivem uma vida regalada durante toda a juventude, imaginando que só quando velhas, próximas da morte, precisarão buscar a Deus. Assim como os Israelitas, esquecemos que só temos verdadeira vida e liberdade quando Deus habita em nós (Marcos 8:36; João 3:16; Colossenses 1:13). Esquecemos que o Senhor já resgatou a humanidade pagando um alto preço pela salvação do homem (1 Pedro 1:17-21; 2 Coríntios 5:18-19) e que deixar para buscá-lo depois pode ser mais difícil e até tarde demais (Eclesiastes 12:1-8; Isaias 55:6; Hebreus 3:12-13).
2. Somos chamados no tempo que se chama hoje, para edificar a Casa do Senhor, não depois (Atos 17:30-31).

Nos dias do profeta Ageu, não muito tempo depois de ouvirem sua mensagem, os Israelitas deram ouvidos a sua voz, temeram ao Senhor e retomaram a construção do Templo (Esdras 5:2; Ageu 1:12-15).

Que assim, também nós, ao ouvirmos hoje a voz do “profeta dos profetas”, do filho de Deus (Hebreus 1:1-2), nos empenhemos com toda perseverança na obra principal que ele nos confiou (Hebreus 12:1-3).

Já é tempo de construir! Qual casa nós temos edificado?

domingo, 4 de janeiro de 2015

O Evangelho é sofredor


(Mensagem baseada no vídeo "Você irá sofrer" de John Piper que você pode encontrar no Youtube)
Queria começar esta mensagem fazendo uma pergunta: Você é feliz? Se fizéssemos essa pergunta a uma pessoa que não teme a Deus, um ímpio, ele com certeza responderia: “eu sou feliz por que não tenho problemas, ou por que tenho dinheiro, ou por que tenho saúde, ou por que eu não sofro”. Isso era o que um ímpio responderia. Se fizéssemos essa mesma pergunta a um monge recluso em seu mosteiro, ele diria que é feliz “por que a santidade, meditação e sacrifício é o que realmente importa nesta vida”. Se fizéssemos esta mesma pergunta a um cristão, muito provavelmente ele responderia que é feliz “por que sirvo a Deus, vou à igreja as quintas, aos domingos, tenho comunhão com meus irmãos, a minha vida está muito boa com Cristo”. Se fizéssemos essa pergunta ao Pr. Yousef Nadarkhani, o pastor iraniano que passou três anos presos devido a ter pregado o Evangelho de Cristo a muçulmanos e foi solto recentemente, ele com certeza diria: “sim, sou feliz por que estou sofrendo por Cristo. Por que tudo que tenho passado em sofrimentos nesta carne, tem servido para manifestar a glória de Deus aonde quer que eu vá.”
Mateus 16.24
Então Jesus disse aos seus discípulos: “Se alguém quiser vir após mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me.”
Mateus 10.21
O irmão entregará à morte o seu irmão, e o pai, o seu filho; filhos se rebelarão contra seus pais e os matarão. E odiados de todos serei por causa do meu nome.
João 16.1,2
Eu lhes tenho dito tudo isso para que vocês não venham a tropeçar. Vocês serão expulsos das sinagogas; de fato, virá o tempo quando quem os matar pensará que está prestando culto a Deus.
2 Timóteo 3.12
De fato, todos os que desejam viver piedosamente em Cristo Jesus serão perseguidos.
1 Pedro 4.12,15
Amados, não se surpreendam com o fogo que surge entre vocês para os provar, como se algo estranho lhes estivesse acontecendo. Mas alegrem-se à medida que participam dos sofrimentos de Cristo, para que também, quando a sua glória for revelada, vocês exultem com grande alegria.
Romanos 8.17-19
“Se somos filhos, então somos herdeiros; herdeiros de Deus e co-herdeiros com Cristo, se de fato participamos dos seus sofrimentos, para que também participemos da sua glória. Considero que os nossos sofrimentos atuais não podem ser comparados com a glória que em nós será revelada.”
Atos 5.41
“Os apóstolos saíram do Sinédrio, alegres por terem sido considerados dignos de receberem sofrimento por causa do nome de Jesus.”
2 Timóteo 1.8
“Portanto, não se envergonhe de testemunhar do Senhor, nem de mim, que sou prisioneiro dele, mas suporte comigo os meus sofrimentos pelo evangelho, segundo o poder de Deus.”
Mesmo que muitos não aceitem ou queiram ensinar o contrário ou acham que isso já está ultrapassado e serviu apenas para a igreja primitiva, nós devemos sofrer por causa da pregação do Evangelho. Se nossa vida cristã está "muito boa", tem algo muito errado. Muito sangue já foi derramado até que a nós chegasse a revelação de Cristo como Senhor e Salvador do mundo. Muito sangue ainda tem sido derramado nos dias de hoje por essa mesma revelação. O que nós temos feito por essa revelação? Temos sofrido o bastante para sermos dignos de viver por Ele?
1. Devemos sofrer por Cristo
Filipenses 1.29
“Pois a vocês foi dado o privilégio de não apenas crer em Cristo, mas também de sofrer por ele.”
Não recebemos de Deus apenas a graça de crer em Cristo, mas também Deus nos deu a graça de sofrer, de padecer por Cristo.
Paulo nos ensina que não recebemos de Deus a graça apenas para crer, pois através da graça temos a fé e a fé nos aproxima de Cristo, e temos contato com Cristo e todos os benefícios. Mas também recebemos a graça de padecer por Cristo.
Por que Paulo ensina isso?
Quando Paulo escreve aos filipenses ele estava preso em Roma e sofrendo todas as conseqüências que uma vida carcerária pode trazer. Então Paulo explica aos Filipenses que a dádiva não é só a fé, mas também o sofrimento. Por quê? Por que por causa da prisão de Paulo, do sofrimento de Paulo, muitos irmãos começaram a pregar o Evangelho.
Filipenses 1.12:
“Quero que saibam, irmãos, que aquilo que me aconteceu tem, ao contrário, servido para o progresso do evangelho. Como resultado, tornou-se evidente a toda a guarda do palácioc e a todos os demais que estou na prisão por causa de Cristo. E os irmãos, em sua maioria, motivados no Senhor pela minha prisão, estão anunciando a palavrad com maior determinação e destemor.”
2. Falta a nossa oferta para o sofrimento para completar as aflições de Cristo
Colossenses 1.24-29:
“Agora me alegro em meus sofrimentos por vocês, e completo no meu corpo o que resta das aflições de Cristo, em favor do seu corpo, que é a igreja. 25 Dela me tornei ministro de acordo com a responsabilidade, por Deus a mim atribuída, de apresentar-lhes plenamente a palavra de Deus, 26 o mistério que esteve oculto durante épocas e gerações, mas que agora foi manifestado a seus santos. 27 A ele quis Deus dar a conhecer entre os gentiosd a gloriosa riqueza deste mistério, que é Cristo em vocês, a esperança da glória. 28 Nós o proclamamos, advertindo e ensinando a cada um com toda a sabedoria, para que apresentemos todo homem perfeito em Cristo. 29 Para isso eu me esforço, lutando conforme a sua força, que atua poderosamente em mim.”
Segundo John Piper, o texto de Cl 1.24 é quase uma heresia. Quase. Paulo dizer que em seu corpo caído e pecador, ele completa o sofrimento de Cristo? Mas graças a Deus que temos a revelação do Espírito de Deus para que possamos entender o que o apóstolo da cruz diz. Paulo não quis dizer que na obra redentora na cruz realizada por Cristo ainda falta alguma coisa para que nossos pecados fossem justificados e ele, Paulo, iria acrescentar algo para que essa obra fosse completa. Isto sim seria heresia. O sofrimento de Cristo como obra de justificação de nossos pecados e redenção do homem é completa.
O que Paulo quis dizer deve ser a mesma coisa que nós deveríamos dizer hoje: “com a ajuda de Deus vou completar o que falta das aflições de Cristo na minha casa, no meu trabalho, na minha escola, para as pessoas que ainda não conhecem o evangelho.”. Isso quer dizer que nós não acrescentamos valor de compensação da morte de Cristo, mas que acrescentamos aos nossos próprios corpos a extensão do sofrimento daqueles por quem Ele morreu.
Filipenses 2.30:
“Porque ele quase morreu por amor à causa de Cristo, arriscando a vida para suprir a ajuda que vocês não me podiam dar.”
Relação do sofrimento de Cristo em favor da igreja (Cl 1.24) e o sofrimento de Epafrodito em favor de Paulo (Fp 2.30). A igreja em Filipos tinha algo a oferecer a Paulo, uma oferta de amor sacrificial. Só que faltava eles oferecerem esse presente pessoalmente, por que isso era impossível. Então Epafrodito vai e se apresenta a Paulo como o supridor dessa falta pelo filipenses.
Quando Paulo diz: “Agora me alegro em meus sofrimentos por vocês, e completo no meu corpo o que resta das aflições de Cristo”, ele quer dizer: Cristo morreu pela humanidade, morreu pelas pessoas da nossa família, do nosso trabalho, da nossa escola, universidade. O débito do homem para com Deus foi pago através do sofrimento e morte de Cristo. Pessoas não alcançadas receberam o pagamento da sua dívida através de Jesus. O problema é que elas não sabem. Não podem provar. Não podem experimentar o que é viver com Deus.
Está faltando algo neste sofrimento.
Você pode dizer “mas é óbvio que o Evangelho tem que ser difundido”, mas não era isso que Paulo queria dizer, mas sim é através do nosso corpo e do nosso sofrimento que os sofrimentos de Cristo chegam as pessoas não alcançadas.
Pensem em como começou o Cristianismo começou e chegou até nós. Pensem em quanto sangue foi derramado, em quantas noites foram passadas em claro, em quantas dores foram sentidas nos corpos das pessoas que entregaram a sua vida por amor ao sofrimento de Cristo. Tudo isso para que a mensagem de amor e sofrimento de Cristo pudesse ser passada para cada pessoa.
Um grande homem de Deus disse: “A cruz de Cristo serviu para a reconciliação. A nossa cruz é para propagação.”